Para mostrar como os momentos especiais das #Familinhas podem acontecer desde em uma viagem inesquecível como também em pequenas coisas da rotina, tenho convidado algumas mães para dividirem com a gente situações vividas e que podem ser inspiração e aprendizado para outras famílias.

Essa semana a Cláudia nos conta as aventuras e descobertas diárias dela e seus dois filhotes!

Quando as crianças, filhos de Cláudia, chegaram aos 6 e 2 anos, eles vinham de um abrigo consideravelmente cheio, com baixo número de adultos em relação ao de crianças, barulho ininterrupto (seja de alegrias e brincadeiras como de choros e espera) e pouco “espaço” para sua individualidade. Um lugar onde as coisas eram conquistadas na base da espera e da insistência e que a boa-vontade das cuidadoras se perdia em meio ao caos das necessidades urgentes. Mas era também um recanto de independência precoce e de muita solidariedade entre as crianças, de recomeços e esperança.

Cláudia nos conta que, já em casa, eles perceberam que os dois, especialmente o caçula, se ressentiam por perder algumas liberdades já conquistadas no abrigo, como o ato de pegar a própria água, por exemplo. Por isso, um dos maiores desafios foi fazê-los compreender que podiam contar com os adultos para ajudá-los no dia-a-dia, ao mesmo tempo que tentavam manter uma dose de autonomia saudável para eles.

Decisões simples foram tomadas como colocar um pequeno reservatório de água em uma altura que os dois alcançam. Diariamente, a Cláudia seleciona suas roupas, mas deixa que ambos se vistam sozinhos.  A família faz questão de acompanhá-los à mesa, mas os deixa comer por conta própria, mesmo o menor. Os dois também arrumam os brinquedos sozinhos e há mais uma dezena de detalhes que fazem de suas crianças pequenos cidadãos do mundo.

Mas a família percebeu que nenhum desses atos de independência tornou-se tão importante quanto o tempinho que eles têm, todo santo dia, para ficarem a sós. L.a e L.o acordam, mas a mãe continua na cama, na maior parte do tempo fingindo que dorme, um olho aberto, outro fechado. As crianças sabem que devem fazer silêncio (pelo menos o que conseguem) e que podem aproveitar para fazer o que desejarem.  L.a. pinta, monta quebra-cabeças, dá o café da manhã das bonecas e adora pegar o livrinho lido na noite anterior para recontá-lo baixinho, o que é um grande termômetro para saber o que “ficou” da narrativa. L.o. traça percursos pelo ambiente com o carrinho e agrupa seus super-heróis favoritos. Foi assim que ela ficou sabendo que o Homem-aranha também leva bronca da mamãe, rsrsrsrs.

Claúdia reforça que eles sabem que tem um adulto ali do lado, de que a segurança é garantida, mas esse se tornou um espaço para que eles desenvolvem o sentido de privacidade, de solidão relativa e de reelaboração de ideias. Algo que, definitivamente, não existia no abrigo. Também é uma chance de vivência de silêncio, quietude, mansidão. Até a espera é um aprendizado possível, conceito bem difícil para uma criança assimilar.

Essa foi uma atividade inicialmente não planejada, mas que se tornou um hábito tão natural para eles e tão gostoso para toda a família que pretende mantê-la enquanto puder. Segundo ela “abre-se uma janelinha privilegiada de observação”.

O engraçado é que a vovó da L.a e do L.o também começou a fazer o mesmo, sem que nada tivesse sido combinado. Apenas aconteceu. A mamãe Cláudia fica pensando se no futuro, ela e seus filhos também terão esse mesmo tipo de sintonia, se vão repetir gestos e escolhas sem planejamento antecipado. Quem sabe?

Por enquanto, desfrutam dos momentos de brincadeiras suaves antes do dia começar, da “individualidade” em família, só que muito bem acompanhados.

Claudia F., mãe de L.a e L.o, autora do Pequena Prole

E vocês, o quem tem para contar pra gente?

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