Tenho convidado algumas mamães para nos contar sobre momentos gostosos nas suas #Familinhas. Os posts estão uma delícia de ler! 

Desta vez quem nos contou foi a Beatriz, mãe de duas pequeninas. A Bea mora em Londrina PR e dividiu com a gente a aventura de ir ao teatro com sua pequena platéia de 4 e 3 anos!

“Sobre o riso e o sufoco de levar as crianças ao teatro

Levar as crianças ao teatro vale a pena? Será que elas aproveitam? Será que elas ficam quietas? Será que se lembram depois? Elas ficam com medo? E se chorarem?

Bom, levo as crianças ao teatro sempre que possível, desde bebês. Algumas destas perguntas já me foram feitas por outras mães, normalmente as que não estão muito acostumadas a levar. Muitas mães questionam o sentido de levar crianças pequenas ao teatro, sob a alegação de que não conseguem ficar sentadas muito tempo, de que não se lembram de nada, de que não mantêm a atenção por mais de 20 minutos, de que fazem barulho e não conseguem “se comportar”. Ora, as companhias de teatro direcionado ao público infantil sabem muito bem disso. Elas conhecem seu público, e conhecem sua missão: falar ao coração das crianças requer sensibilidade, técnica, paciência, empatia, e muito amor. Trabalhar os temas importantes para as crianças demanda muita identificação com a criança interna que todos temos, e que fica lá trancada, impedida por nós adultos de se manifestar.

Por isso, não vejo nenhum constrangimento em as crianças se levantarem, perguntarem, comentarem, rirem alto.

Levar as crianças ao teatro desde pequenas ensina a viver em comunidade (falar baixo para não atrapalhar os outros, não subir na cadeira para não sujar o teatro e não tampar a visão dos de trás, não subir no palco nem mexer nos objetos de cena a não ser que expressamente permitido pelos atores), a conhecer e respeitar o ofício de ator, e principalmente, as familiariza a esta manifestação artística tão fértil em nos contactar com nossa subjetividade. Coisa que pode parecer estranha a tantos adultos: a criança por acaso tem subjetividade???

Claro que sim. Desde cedo. Felizmente. E graças ao teatro por ser esta maravilhosa porta de acesso.

E como curtem. Desde a chegada ao teatro, as escadas, os bilhetes, a fila, as pessoas esperando. Escolher os lugares onde não haja cabeças muito altas na frente (e se o lugar marcado foi azarado, vamos lá tentar trocar por outro). A espera, os anúncios de desligar os telefones, o sinal.  Eu repetindo: vamos falar baixo, não vamos ficar de pé para não atrapalhar quem está atrás, vamos ao banheiro antes para não dar vontade no meio.

As cortinas se abrem (ou, quando já abertas, as luzes se acendem, ou os personagens entram no palco), e como mágica as crianças entram no texto, olham, escutam, perguntam, comentam. Porque não tem como elas não perguntarem! Não tem como elas não comentarem! São crianças, estão interessadas, estão curiosas, então se ouve por todo canto no teatro adultos cochichando com suas crianças: “não, não sei por que ela está de vestido rosa” ou “não, não acabou ainda, só estão trocando o cenário”.

Em uma das vezes nosso lugar era ruim e elas não enxergavam direito. Procurei outro e não havia nada disponível. Sentei no chão, em frente ao palco, com a menor no colo. Outras mães ficaram de pé no cantinho, também carregando a cria. Minha mais velha levantou, chegou perto do palco e foi de lá que assistiu a maior parte da peça, de pé, junto com outras crianças. Dançou muito, bateu palmas, fez amigos. Voltaram felizes, encantadas, e dormiram comentando.”

Pra fechar da melhor maneira, olhem essa alegria que a Bia nos enviou! Esse momentos foram registrados no 49ª do Festival Internacional de Teatro de Londrina que aconteceu no mês de agosto.

 

E aí, o que sua #Familinha tem feito para dividir e inspirar a nossa?

 

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