A cada história que recebemos das famílias, temos mais certeza que esse post não se chama “especial” `a toa. Essa troca é tão gostosa e enriquecedora!

Essa semana a Marcela divide com a gente o que ela, seus dois pequenos e o esposo tem vivido e aprendido com a experiência de mudar-se para o exterior. Do conforto e segurança familiar que ficou em Londrina no PR para os desafios das diferenças culturais encontrados nos EUA.

Mãe do Caio (4 anos) e a Manuela (1 ano e meio), a Marcela também é psicóloga e casada com o Ricardo que é urologista. Logo que se casaram em 2008, moraram 2 anos nos EUA para estudar e 7 anos depois, mais exatamente há dois meses, voltaram para a Califórnia. Desta vez não trouxeram apenas a bagagem, trazem agarradinhos no peito 2 coraçõeszinhos cheios de curiosidades, dúvidas e inseguranças com a nova vida.

Como já dissemos anteriormente, nós adoramos saber das viagens, das festas, dos passeios, do dia-a-dia, das alegrias e até mesmo de momentos não tão felizes, pois tudo que se vive em família pode ser inspiração e ensinamentos para muitas outras.

Bom, vamos embarcar nessa história emocionante de crescimento e amor em família!

 

“Eu imaginava que a adaptação seria difícil, mas me surpreendi e achei muito mais difícil com criança. Apesar de já ter morado em Los Angeles, conhecer a cidade e a cultura, quando se tem filhos tudo muda mesmo. O impacto cultural é ainda maior porque nos deparamos com as diferenças de valores, a forma como criamos os filhos e as interações são bem diferentes.

Logo na primeira semana, resolvi levar as crianças em uma biblioteca  pública perto de casa.

Minha filha de um ano e meio é uma criança simpática que gosta de se aproximar de outras. Quando ela viu um bebê, ficou encantada! Falava: “neném, neném”. O bebê se assustou com ela e começou a chorar. A mãe do bebe não aparecia, então peguei o bebe para acalmá-lo até que a mãe viesse. A mãe chegou e perguntou o que estava acontecendo de forma bem rude. Eu expliquei e continuei brincando com meus filhos. Mas toda vez que a Manuela via o bebê, tentava se aproximar, dizendo: neném, neném! Quando de repente a mãe do bebe me diz: “por que sua filha continua vindo atras do meu filho? Você nao ve que ele não gosta dela? Saiam de perto da gente!” Eu fiquei tão chocada que a única coisa que consegui responder foi: “Por que vc é tão grossa? Eles são apenas crianças tentanto brincar…” Como pode a mãe de um bebê de menos de um ano dizer que ele nao gosta de alguém?

A Manuela é muito sensível, percebeu toda a situação e não se aproximou mais do bebê. Então, minha primeira experiência com filhos fora de casa foi um tanto assustadora.

Fomos a alguns parques também e as crianças pareciam se assustar com a Manuela quando ela se aproximava. O que é um comportamento natural para a gente, para eles é um tanto invasivo, e assim com o tempo ela deixou de se aproximar de outras crianças. Comportamento que não é reforçado é extinto… Isso me entristece um pouco porque considerava essa uma importante característica para o desenvolvimento de suas habilidades sociais.Já meu filho mais velho é mais tímido, não tem iniciativa de chamar outras crianças para brincar. O episódio da biblioteca, ele nem percebeu. Porém, ele já é mais velho e deixou muitas coisas para trás, como convívio familiar, amigos, escola, brinquedos, casa, e tudo mais. Isso o deixou bastante triste. Faz parte também de suas características pessoais, ser resistente a mudanças, então eu sabia que seria um grande desafio. No início foi difícil para ele entender que agora sua casa seria aqui, que moraria em uma cidade diferente, em um país diferente. Ele perguntava por que falávamos “diferente”. Ele não queria sair, não queria ter contato com as pessoas, queria se fechar em casa, onde o ambiente estava controlado para ele.

Era difícil sair e não entender as pessoas, não ter ninguém conhecido, não ter lugares que ele conhecia ou que eram pelo menos parecidos com o que ele conhecia. Tudo era muito diferente… Fomos então procurar escolas. Ele se animava, queria brincar no parque, sentia muita falta de brincar, fazer atividades, de amigos. Mas quando falávamos que ele ficaria lá ele não queria de jeito nenhum. Finalmente achamos vaga em uma escola muito legal, com um esquema muito parecido com o que ele estava acostumado no Brasil. Mas toda vez que se falava em escola ele era muito resistente, dizia que não ia entender nada. Conversei bastante com ele, disse que entendia seu medo e angústia, é realmente muito ruim não entender e não ser entendido. Falei da minha experiência também, quando vim para os Estados Unidos pela primeira vez. Não foi fácil, mas aprendi e hoje falo “diferente”.

No seu primeiro dia de aula, conversamos bastante e fomos levá-lo. Ao deixá-lo na sala, tudo estava escurinho, tocando uma música linda instrumental e os colchões no chão,pois era hora de descanso das crianças.

Ele me disse: “mamãe, estou com medo.” Dei um beijo nele, disse ele iria descansar, brincar e que se precisasse de qualquer coisa a professora estaria lá com ele. Deixei ele chorando baixinho e não aguentei, chorei… chorei… chorei… Não é fácil, mas disse: você vai sair dessa mais forte!

Quando fui buscá-lo ele estava feliz! Precisava de atividade, de contato social e ele viu que o medo que ele sentia era maior do que ele enfrentaria na realidade. Ele ainda resiste alguns dias em ir a escola, porque realmente tem dias que não entender nada é difícil, que ele sente falta da escola e dos amigos do Brasil, mas sempre que ele volta falando alguma palavra nova que aprendeu fazemos a maior festa para ele!

Bom, esses foram os primeiros dois meses e imagino que os mais difíceis. Apesar de ouvir sempre que criança se adapta fácil, aprende rápido, a realidade é que toda criança tem seu tempo e o processo é complicado.

Acredito que em breve todos nós estaremos mais adaptados e sentindo menos os efeitos do impacto cultural. Com certeza todos nós sairemos dessa mais fortes, como família e com ganhos que nenhuma outra experiência poderia nos trazer.”

 

Estamos esperando os momentos da sua familinha também!

Se você se empolgar, manda um email para contato@sementinhadegente.com.br que vamos ficar muito felizes em poder compartilhar.

Bjs

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